Quantas horas passamos em frente a um ecrã?

Se antes da pandemia já se estimavam como excessivas as horas que os portugueses passavam em frente a um ecrã, atualmente os números são alarmantes: durante o confinamento, 33% dos portugueses passaram mais de 6 horas por dia online ou em videojogos e 48% passaram entre 3 a 6 horas expostos a um ecrã.

Para além das questões relacionadas com os comportamento aditivos e isolamento social, devemos ainda ter em consideração o impacto deste tempo de exposição excessivo na saúde ocular. Muito se ouve falar dos malefícios da luz azul emitida pelos ecrãs, tanto em relação aos olhos, como aos potenciais distúrbios do sono. Afinal, qual é mesmo o problema da luz azul?

PRIMEIRO – O QUE É A LUZ AZUL?

Muito resumidamente, designa-se por “luz azul” uma parte da luz visível que inclui  violeta, índigo, azul e alguma luz azul esverdeada. Este espectro de luz visível existe na luz natural (Sol) e na luz artificial, nomeadamente dos dispositivos eletrónicos – ecrãs de televisão, computadores, tablets, smartphones – e das luzes LED e fluorescentes.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE A LUZ AZUL E O ORGANISMO HUMANO?

De uma forma simplificada, a luz azul tem 2 tipos de efeitos no organismo humano:

  • Uma parte da luz azul (o espectro de luz azul-turquesa) interfere com a produção de melatonina, alterando e regulando os ritmos de sono e vigília. Esta interferência explica porque a utilização prolongada de aparelhos que emitem luz azul contribui para a insónia e fadiga. Quando utilizamos os aparelhos electrónicos nas 2-3 horas antes de dormir, o cérebro recebe uma informação que “é de dia” e promove o estado de alerta, dificultando o sono.

  • Outra parte da luz azul (o espectro azul-violeta) está identificado como causador de danos nas células da retina e dos foto-receptores dos olhos. Este é um processo lento, em que os danos se acumulam ao longo da  vida, e que tem sido relacionado com doenças degenerativas da retina, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Esta doença é a principal causa de perda permanente da visão em idosos.

Hoje estamos mais expostos à luz digital do que nunca: aulas no computador, entretenimento no tablet, jogos e video-chamadas com amigos e família no telemóvel.

Para além dos efeitos da luz azul que hoje se conhecem, quem passa muitas horas ao computador sofre da chamada “síndrome visual dos computadores“, que inclui secura ocular, irritação e fadiga, tal como dores de cabeça. Ainda não são bem conhecidos os mecanismos específicos que causam estes sintomas.

COMO PROTEGER OS OLHOS DA RADIAÇÃO AZUL

A utilização de óculos com lentes que filtram a luz azul protege os olhos e evita a interferência da luz azul dos dispositivos eletrónicos na produção de melatonina (hormona conhecida por regular os ciclos de sono). Podem também ser utilizadas por pessoas que costumam utilizar lentes de contacto já que, estes óculos estão disponíveis sem graduação, atuando apenas como escudo contra a radiação. Muitos utilizadores de óculos que filtram a luz azul reportam melhorias significativas do síndrome visual de computadores, diminuindo a secura, irritação e fadiga ocular. Caso tenha frequentemente estes sintomas após utilização prolongada de ecrãs, considere a utilização de óculos com filtros de luz azul (mesmo sem graduação). Além disso recomendamos uma visita regular ao seu oftalmologista.

EM RESUMO:

Ainda não se conhece a extensão dos danos causados pela exposição intensiva à luz azul na saúde humana, e mais estudos deverão ser feitos para avaliar esta relação. No entanto, sabemos que os óculos com estes filtros não são prejudiciais e muitos utilizadores comprovam o maior bem-estar quando os utilizam. Sabemos ainda que os principais benefícios de evitar a sobrexposição à luz azul são:

  • Um ciclo de sono mais saudável (menos insónias e sono mais reparador);
  • Menos dores de cabeça, olhos secos e fadiga ocular causada pela exposição excessiva à luz azul;
  • Maior conforto visual.

OUTRAS SUGESTÕES EM CASO DE SÍNDROME VISUAL DOS COMPUTADORES:

  • Ativar o modo noite dos écras – que altera o equilíbrio de cores e contraste dos ecrãs, aumentando o conforto ocular;
  • Utilizar gotas lubrificantes para os olhos (as chamadas lágrimas artificiais);
  • Fazer momentos de repouso frequentes, deixando de fixar o ecrã e olhando para longe (regra dos 20-20-20, idealmente a cada 20 minutos, olhar durante 20 segundos para uma distância de 20 pés)

OUTRAS SUGESTÕES EM CASO DE INSÓNIAS OU DIFICULDADE EM ADORMECER

  • Limitar a utilização dos ecrãs nas 2-3 horas antes da hora de deitar;
  • Evitar os alimentos muito açucarados ao jantar;
  • O ambiente também influencia o sono: à hora de deitar manter uma temperatura equilibrada, luzes mais fracas e diminuir a agitação em casa.

As opções estéticas para estes óculos são hoje muito vastas e as lentes mais recentes já não são “amarelas” como as suas antecessoras. Espreite abaixo a nossa coleção de óculos com proteção para a luz azul: